Sexta, 15 de Janeiro de 2021
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O efeito da pandemia no Turismo Regional e suas consequëncias

Com as mudanças no Plano SP, turismo é mais uma vez prejudicado

10/12/2020 00h00 Atualizada há 1 mês
Por: Rubia Menezes
O efeito da pandemia no Turismo Regional e suas consequëncias

Bom dia pessoas!

Nossa coluna desta semana vai falar sobre um assunto que em partes debatemos na semana passada, mas que ainda está gerando polêmicas que foi exatamente o retorno do Plano SP para a faixa amarela e com isso causou certa revolta nos profissionais de Turismo na Região Metropolitana da Baixada Santista em pleno final de ano.

Como todos sabem, o setor de Turismo foi o mais prejudicado com essa pandemia e para isso a nossa coluna irá entrevistar dois profissionais da área de Turismo pra saber o que cada um deles acha de tudo isso: Carlos Eduardo Silveira, turismólogo, agente de viagens e Diretor Presidente da Associação dos Profissionais de Turismo - Regional Santos e Lucas Goulart Andrade, turismólogo, professor universitário e doutorando em Turismo pela USP Leste

1) Houve retrocesso no Plano SP, voltou pra fase amarela, como você vê o Turismo nesse retrocesso em pleno final de ano? 

Carlos Eduardo Silveira: Até o momento, podemos dizer que para a atividade turística não houve retrocesso, afinal, para retroceder você teria de ter avançado e o Turismo ainda não avançou. Estamos num período em que vários segmentos estão, desde o inicio de flexibilização, começando as suas atividades entre 30% a 50%, dependendo da cidade.

Lucas: Esse efeito sanfona da restrição é característico da falta de planejamento político em nosso país. Quando alguém está doente, o certo é tomar as medidas necessárias, por mais que radicais, para a melhor recuperação. Você não fica liberando a pessoa pra passear e depois a interna de novo. Não é estratégico. É preciso ser efetivo em tempos de crise. Este foi o exemplo dos países mais bem-sucedidos no combate à pandemia. O setor do turismo é vítima dessa falta de planejamento. 

 

2) Um contexto nesse tempo pandêmico está sendo feito por alguns prefeitos, entre eles o de Guarujá, Dr Walter Suman, de proibir turistas de reservar vagas em hotéis, pousadas, locar casas de veraneio até o dia 04 de janeiro, como você vê o possível prejuízo do setor neste período de final de ano, que seria altíssimo o numero de turistas na nossa região?

Carlos Eduardo Silveira: Recentemente, o Prefeito do Guarujá voltou atrás em algumas decisões, que no meu ponto de vista eram exageradas. De fato, o que precisamos é ter um controle maior  do fluxo de pessoas e esse controle passa pelo turismo profissional, que é organizado por essência. Cabe à Prefeitura agir e fiscalizar, buscando ações que beneficiem as pessoas que desejam e têm o sonho de viajar. O turismo não pode ser considerado o vilão da pandemia, pelo contrário, o turismo pode ajudar toda a economia local na retomada das atividades, com segurança e respeito aos protocolos.

Lucas: Infelizmente não há alternativas. Mas o cenário não é tão ruim para aqueles que dependem do setor nas regiões litorâneas. Pelo contrário: com a proibição do turismo internacional, houve crescimento do turismo interno. Estatísticas não-oficiais apontam um crescimento superior a 50% nas locações em Guarujá e região. É altamente provável que esse impacto positivo no turismo da região perdure por grande parte do ano seguinte. 

 

3) Qual a sua perspectiva para o Turismo na nossa região para 2021? Se haverá melhoras ou continua na mesma situação?

Carlos Eduardo Silveira: Em todo o mundo, o Turismo já é tratado como um dos pilares principais que ajudaram na retomada da atividade econômica. Por isso é urgente que cada prefeitura trabalhe nessa direção, para fomentar as viagens locais em conjunto com os profissionais do setor.

Lucas: O Brasil como um todo é muito mais dependente do turismo interno do que do turismo internacional. Nesses tempos, isso pode ser um bom sinal. O mercado interno se reaquece com mais facilidade. Outro ponto fundamental para o setor é uma possível alteração na estrutura trabalhista. Em tempos pré-pandemia, apenas 1 a cada 50 trabalhadores norte-americanos estava em home-office. Atualmente, isso mudou para 1 a cada 3. Dificilmente voltaremos para a estrutura de trabalho anterior. É hora da ruptura de muitos paradigmas. Crise também significa oportunidade. Isso pode ser muito significativo para o setor do turismo. O governo de Aruba - país altamente dependente do turismo internacional - lançou uma campanha motivando as pessoas a trabalharem por lá (não para as empresas de lá, mas a partir de lá). Ou seja, estar em home-office com a deslumbrante vista do mar caribenho. É uma excelente sacada. Os empreendedores das regiões litorâneas brasileiras também podem seguir este exemplo. Uma dica fundamental para o setor de hotelaria e hospedagem no futuro próximo é: invistam em um bom sistema de Wi-fi.   

 

 4) O que podemos esperar para o Turismo num longo prazo a partir do momento em que enfim nós tenhamos a vacina, que está sendo aguardada em todo o Planeta?

Carlos Eduardo Silveira: Uma coisa é certa: o Turismo e o Turista mudaram no mundo inteiro.  Vejo que muitas pessoas já estão fazendo seus planos de viagem para o Agora. O distanciamento social, de alguma maneira, provocou o efeito inverso nas pessoas: muitas querem e desejam conhecer novos lugares e viver novas experiências. Por isso teremos um turismo muito mais profissional e um turista muito mais exigente em conhecer de falto quais são os procedimentos de um fornecedor, por exemplo, ou, ao visitar um destino, fazer um passeio por que de alguma reúne valores de sustentabilidade ou preservação da cultura local. O Turismo do Futuro ou o Turismo 5.0, que será focado no retorno do toque humano aliado a tecnologia.

 

Lucas: Falar sobre o futuro é sempre delicado. Há muitas divergências entre as opiniões de especialistas do setor. Um debate entre acadêmicos brasileiros aponta um tempo aproximado de 10 anos para a recuperação do setor. Já a Organização Mundial do Turismo (OMT) aponta um prazo inferior há 2 anos. Prefiro concordar com o otimismo da OMT. O setor do turismo apresenta um bom histórico de recuperação em tempo de crises. No ano de 2009, houve uma queda significativa no número de viagens internacionais (efeitos da crise econômica de 2008). Em 2010 o setor bateu todos os recordes em relação à década anterior. Como diria o sociólogo francês Gilles Lipovetsky, não há uma significativa alteração no comportamento do consumidor que acarretará numa transformação do mercado, há uma demanda reprimida sedenta pela retomada do consumo. Considerando a possibilidade de erradicação ou redução altamente significativa da doença por meio da vacina, a recuperação do setor deve ser exponencial. Essa é a minha aposta. 

 

 Na próxima coluna, vamos falar sobre os direitos e deveres das empresas de Turismo, quais os direitos e deveres dos consumidores ao desistirem de uma viagem. Confiram pois o assunto é de extrema importância e será uma prestação de serviços da nossa coluna, nossa entrevistada será a Drª Maria Luiza Pinheiro, advogada, especialista em Direito do Consumidor do PROCON de Itapecerica da Serra/SP.

Agradecemos ao Carlos Eduardo e ao Lucas por participarem da nossa coluna.

E a vocês que nos prestigiam, obrigada sempre! Até nossa próxima coluna

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